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A linguagem controlada representa o fim da tradução humana de documentos técnicos?
por Terralíngua      Publicado em  setembro 18, 2017
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A linguagem controlada representa o fim da tradução humana de documentos técnicos?A prática de simplificar a linguagem técnica para facilitar sua compreensão não é novidade. No século XVII, Sir Thomas Urquhart escreveu um livro em que apresentava seu plano de criar um novo idioma com termos mais simples para os comerciantes. Ele destacava as vantagens de escrever em um estilo que até uma criança de 10 anos entenderia.

O principal idioma usado em documentos técnicos no final do século XVIII era o inglês, mas parece que ninguém seguiu o conselho de Thomas Urquhart. No livro English as a Global Language (O inglês como idioma global, em tradução livre, ainda não publicado no Brasil), o autor e linguista David Crystal explica que “um estrangeiro teria de saber muito bem a língua inglesa para aprender sobre a tecnologia britânica”.

Com o final do século XIX, veio uma época de produção em massa. Os bens de consumo estavam sendo vendidos a uma população cada vez maior, e a necessidade de publicações técnicas voltou a ser reconhecida como importante. Em 1932, Charles Kay Ogden publicou um dicionário chamado Basic Words: A detailed account of their uses (Palavras básicas: uma descrição detalhada de seus usos, em tradução livre, ainda não publicado no Brasil). O livro tinha apenas 850 palavras. Segundo o autor, a obra reduziria o tempo necessário para aprender inglês: em vez dos 5 anos que geralmente eram precisos, bastariam algumas semanas.

Passando para os anos 1970, vimos a criação de uma linguagem voltada especificamente para documentos técnicos, o inglês fundamental da Caterpillar (Caterpillar Fundamental English, CFE). Fabricante americana de máquinas, a Caterpillar desenvolveu esse sistema na esperança de que, com ele, acabaria com a necessidade de recorrer à tradução. Embora vários documentos tenham sido escritos com o sistema, ele não eliminou a necessidade da tradução humana.

Nos anos 1980, a Associação Europeia de Fabricantes de Material Aeronáutico (Aircraft European Contractors Manufacturers Association, AECMA) desenvolveu um novo sistema. Criado para a indústria aeronáutica, seu objetivo era ajudar engenheiros que não eram falantes nativos do inglês a entender documentos e ler instruções. O sistema foi chamado de inglês técnico simplificado (STE) e continua sendo usado até hoje.

Na década seguinte, uma fabricante de computadores e eletrônicos desenvolveu outro idioma controlado, o inglês controlado da Bull (Bull Controlled English, BCE), para reduzir o tempo de disponibilização no mercado. Bem parecido com o CFE, ele é composto por 10 regras.

    1. Use frases afirmativas: evite a voz passiva e verbos no futuro.
    2. Limite-se a 25 palavras por frase.
    3. Empregue uma terminologia válida: não invente.
    4. Organize um pensamento por frase.
    5. Prefira uma estrutura simples ao criar uma frase.
    6. Escolha construções paralelas.
    7. Evite orações condicionais.
    8. Fuja de abreviações e coloquialismos.
    9. Siga a pontuação correta.
    10. Faça uso das ferramentas disponíveis (verificação gramatical e corretor ortográfico).

Apesar de terem sido desenvolvidos por setores diferentes, todos esses métodos carregam o desejo de um idioma consistente e de fácil compreensão. Embora eles reduzam a necessidade da tradução humana, seu uso no processo de tradução é bastante vantajoso para os tradutores profissionais. O uso de ferramentas de memória de tradução e de uma linguagem controlada proporciona mais correspondências entre segmentos, o que diminui os tempos de resposta, possibilita a reutilização de material e, por conseguinte, minimiza os custos. Esse uso também reduz o risco de confusões semânticas e sintáticas. Ao aplicarmos regras e padronizarmos a linguagem, as traduções ficam consistentes e com melhor qualidade.

Como vimos antes com o BCE, existem várias regras que precisam ser seguidas ao usar uma linguagem controlada. É preferível, por exemplo, usar frases curtas em vez de construções longas. É preciso usar a voz ativa no lugar da passiva e substantivos no lugar de pronomes. A marca desse método é a escrita concisa e clara.

Embora a linguagem controlada funcione bem com as ferramentas de memória de tradução, ela pode causar alguns problemas com a tradução automática. A tradução automática não entende contexto e, por isso, ainda exige uma avaliação humana para confirmar a documentação e evitar ambiguidades.

Não há como negar que a linguagem controlada ajudou o processo de tradução técnica, garantindo maior compreensão e consistência. Porém, ainda precisamos de tradutores humanos com as habilidades e os conhecimentos técnicos necessários para identificar erros dispendiosos e evitar mal-entendidos constrangedores. Como em qualquer setor e processo, com os avanços tecnológicos, podemos trabalhar com mais inteligência e segurança, transformando nossas práticas. Mesmo assim, ainda é necessário um toque humano.

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